DELAS TARDE DE ENCONTRO: UM OLHAR SOBRE O CUIDADO E A SAÚDE MENTAL FEMININA EM ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA
O presente artigo tem como objetivo relatar a experiência do Estágio Supervisionado Específico III, desenvolvido em um Centro de Convivência, por meio do projeto “DELAS – Tarde de Encontro”. A proposta visou oferecer um espaço terapêutico e de convivência grupal para mulheres idosas, com ênfase na promoção da saúde mental, no fortalecimento dos vínculos sociais e na valorização da identidade e da autoestima.
6/18/202613 min read


VINICIUS DE OLIVEIRA MOTA / MARGARETE MACÊDO VARELA / PATRÍCIA MONTEIRO SILVA
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo relatar a experiência do Estágio Supervisionado Específico III, desenvolvido em um Centro de Convivência, por meio do projeto “DELAS – Tarde de Encontro”. A proposta visou oferecer um espaço terapêutico e de convivência grupal para mulheres idosas, com ênfase na promoção da saúde mental, no fortalecimento dos vínculos sociais e na valorização da identidade e da autoestima. O estudo fundamenta-se na abordagem psicanalítica, articulando conceitos de vínculo, simbolização, envelhecimento e função do grupo enquanto espaço de escuta, elaboração e ressignificação subjetiva. A metodologia envolveu dez encontros realizados semanalmente, com atividades expressivas e arte terapêuticas centradas em temas como solidão, sensação de esquecimento familiar, papel da mulher e da mãe, conflitos familiares, memória, violência e depressão. As ações favoreceram a expressão de afetos, a partilha de experiências e a reconstrução simbólica da história de vida. Os resultados indicam que o grupo proporcionou às participantes a possibilidade de atribuir novos sentidos ao processo de envelhecimento, elaborando angústias e enfrentando os fantasmas psíquicos característicos dessa etapa da vida. Observou-se maior integração, acolhimento, troca afetiva e fortalecimento da subjetividade, confirmando a relevância do dispositivo grupal como estratégia de cuidado e prevenção em saúde mental.
Palavras-chave: Envelhecimento; Grupo terapêutico; Mulheres; Clínica ampliada.
INTRODUÇÃO
O envelhecimento constitui um processo biopsicossocial complexo, atravessado por transformações físicas, afetivas e simbólicas. Nas últimas décadas, o aumento da longevidade tem exigido novas formas de acolher a velhice e seus desafios subjetivos. No contexto das políticas públicas, os espaços de convivências se configuram como espaços de sociabilidade e prevenção em saúde mental, especialmente entre mulheres que vivenciam situações de isolamento, luto e desamparo . A proposta “DELAS – Tarde de Encontro” surgiu como um dispositivo de escuta e cuidado voltado a mulheres entre 50 e 85 anos, frequentadoras de um espaço de convivência no Distrito Federal. O grupo teve como foco o fortalecimento emocional e o resgate do sentimento de pertencimento, abordando temas como solidão, sensação de esquecimento familiar, papel da mulher e da mãe, conflitos familiares, memória, violência e depressão, ansiedade, regulação emocional e práticas de autocuidado. Sob a ótica psicanalítica, compreende-se que o sofrimento psíquico no envelhecimento está frequentemente relacionado às perdas simbólicas do corpo, dos vínculos e do lugar social. A clínica ampliada com grupos oferece, portanto, a possibilidade de reinscrição da história pessoal, de elaboração das perdas e de construção de novos significantes que sustentem a continuidade do desejo (FREUD, 1917/2010; KAËS, 2005). De modo a escuta psicanalítica, inserida na perspectiva da clínica ampliada, pode favorecer a elaboração subjetiva e o fortalecimento do laço social entre mulheres idosas em um centro de convivência? Este estudo tem como objetivo geral compreender de que modo a prática da escuta psicanalítica, articulada aos princípios da clínica ampliada, pode contribuir para o acolhimento e a elaboração das experiências emocionais de mulheres idosas inseridas em um centro de convivência. Para alcançar tal propósito, estabelecem-se os objetivos específicos, que consistem em: identificar as principais demandas emocionais e simbólicas expressas pelas idosas no espaço grupal; analisar o papel da escuta psicanalítica na reconstrução de vínculos e no processo de subjetivação na velhice; refletir sobre o potencial da clínica ampliada como dispositivo de cuidado e inclusão psicossocial; e discutir as contribuições da psicanálise no campo institucional de atenção à pessoa idosa, ampliando as práticas clínicas tradicionais.
OBJETIVO GERAL:
Compreender a contribuição da escuta psicanalítica, articulada à clínica ampliada, no cuidado à saúde mental de mulheres em espaços grupais.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
a) Identificar demandas emocionais emergentes no contexto grupal;
b) Analisar o fortalecimento dos vínculos sociais entre as participantes;
c) Refletir sobre os efeitos da prática grupal na ressignificação subjetiva
MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho caracteriza-se como um estudo de caso qualitativo, de natureza descritiva e interpretativa, cujo objetivo consiste em compreender, a partir da perspectiva psicanalítica e da clínica ampliada, as expressões emocionais e simbólicas de mulheres idosas em um contexto institucional. Essa abordagem qualitativa foi adotada por possibilitar a compreensão aprofundada dos fenômenos subjetivos, valorizando a singularidade da experiência e o sentido atribuído pelas participantes ao processo de convivência e escuta. O estudo foi desenvolvido em um Centro de Convivência para Idosas, espaço voltado à promoção do bem-estar, à socialização e ao fortalecimento dos vínculos comunitários. O local oferece atividades socioeducativas e expressivas, coordenadas por profissionais de diferentes áreas da saúde e da assistência social. As ações são orientadas pela perspectiva da clínica ampliada, em consonância com as políticas públicas de atenção psicossocial. Por questões éticas, o nome da instituição foi preservado. As participantes são mulheres idosas, com idades entre 65 e 82 anos, frequentadoras regulares do centro de convivência. Todas apresentam autonomia funcional e participam das atividades por livre adesão. O grupo é heterogêneo quanto às condições familiares, sociais e afetivas, compartilhando vivências relacionadas à solidão, ao luto e à busca por pertencimento. O estudo foi conduzido por meio de encontros grupais semanais, denominados Tardes de Encontro, com duração média de 90 minutos cada. Esses encontros constituíram-se como espaços de escuta, troca e simbolização, mediados por atividades expressivas e reflexivas. Foram utilizadas técnicas e oficinas temáticas inspiradas na escuta psicanalítica e na metodologia da clínica ampliada. Entre os recursos empregados, destacam-se rodas de conversa, contos de fada, escrita de memórias, colagens simbólicas, uso de imagens projetivas e dinâmicas com objetos significativos. As atividades foram planejadas de modo a favorecer a livre associação, o surgimento da palavra e a elaboração de conteúdos emocionais relacionados à história de vida, ao envelhecimento e aos vínculos afetivos. Durante o acompanhamento, a observação participante foi utilizada como instrumento principal, permitindo o registro reflexivo das interações e das produções subjetivas emergentes nos encontros. As anotações foram organizadas em diário de campo, garantindo a confidencialidade dos dados. A análise dos dados foi orientada pelo referencial psicanalítico, com base nos conceitos de inconsciente, transferência, simbolização e escuta. A interpretação dos fenômenos observados foi sustentada por autores como Freud (1912/2010; 1914/2010), Winnicott (1975), Zimerman (2007) e Birman (2009), articulados à perspectiva da clínica ampliada proposta pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2004). Essa combinação teórico-metodológica permitiu compreender a experiência grupal como um espaço clínico de elaboração subjetiva, no qual o discurso e o afeto podem circular simbolicamente. O desenvolvimento deste estudo seguiu os princípios do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005), assegurando o respeito à dignidade, à liberdade e à integridade das participantes. Foram garantidos o sigilo, o consentimento informado e o direito de recusa em qualquer momento do processo. Além disso, o trabalho atendeu às diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta pesquisas em Ciências Humanas e Sociais, assegurando que os procedimentos adotados não envolvessem riscos físicos, psicológicos ou morais às participantes. Todos os registros foram tratados de forma confidencial e utilizados exclusivamente para fins acadêmicos. No contexto contemporâneo, o sofrimento psíquico evidencia a fragilidade dos laços sociais, sendo atravessado pelos afetos que constituem a experiência subjetiva (BIRMAN, 2019; SAFATLE, 2019). Nesse sentido, a clínica ampliada configura-se como uma proposta que integra diferentes dimensões do cuidado em saúde mental (TENÓRIO, 2020). A clínica ampliada, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), propõe um cuidado integral que articula saberes e práticas interdisciplinares, sustentando o compromisso ético com a escuta, o vínculo e a singularidade do sujeito. Ao considerar o público composto por mulheres idosas, torna-se necessário compreender as transformações psíquicas próprias do envelhecimento, fase marcada pela reelaboração de perdas e pela busca de sentido. Winnicott (1975) destaca que o amadurecimento emocional depende de ambientes suficientemente bons, capazes de sustentar o sujeito em sua experiência. Zimerman (2007) ressalta que o envelhecimento impõe desafios psíquicos relacionados à identidade, ao corpo e à finitude, sendo fundamental a oferta de um espaço de escuta que favoreça a elaboração simbólica dessas experiências. Birman (2009), por sua vez, compreende o sofrimento psíquico como expressão da fragilidade dos laços sociais e da perda de sentido existencial. A abordagem psicanalítica permite compreender o envelhecimento não apenas como fenômeno biológico, mas como processo simbólico, no qual o sujeito busca reinscrever-se na cultura e nos vínculos afetivos. O trabalho clínico em grupo favorece a construção de novas narrativas sobre si, configurando um espaço de reconstrução subjetiva. Do ponto de vista das políticas públicas, o cuidado à pessoa idosa é respaldado pelo Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) e pela Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASIL, 2006), que preconizam a promoção do envelhecimento saudável e a valorização da autonomia. No campo ético, o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005) orienta que a prática deve respeitar a dignidade e a singularidade dos sujeitos. Assim, o trabalho psicanalítico com mulheres idosas requer uma postura pautada na escuta qualificada e na promoção da subjetivação. A velhice não constitui uma realidade homogênea ou natural, sendo socialmente construída a partir de representações culturais que frequentemente a associam à perda e à invisibilidade social (DEBERT, 2021, p. 51). O etarismo, enquanto forma de preconceito baseado na idade, manifesta-se como uma expressão persistente de desigualdade, impactando significativamente a experiência das mulheres idosas. Observam-se relatos de deslegitimação, infantilização e sentimentos de inutilidade social, evidenciando a permanência de estereótipos negativos. Tais concepções limitam a participação social, fragilizam a autonomia e contribuem para o sofrimento psíquico. Nesse sentido, a reflexão crítica sobre o etarismo mostra-se fundamental para o fortalecimento da identidade, do pertencimento e da dignidade no processo de envelhecimento.
2.2- Resultados e Discussão
Os encontros realizados no contexto do projeto Delas – Tarde de Encontro revelaram o potencial terapêutico da escuta psicanalítica quando inserida em uma proposta de clínica ampliada. As participantes demonstraram, ao longo das atividades, que o espaço grupal favoreceu não apenas a expressão de afetos, mas também a possibilidade de reconstrução simbólica de suas histórias. O plano de ação do grupo DELAS foi estruturado a partir de uma perspectiva participativa, na qual as idosas do Centro de Convivência foram reconhecidas como protagonistas do processo grupal. Desde o início, os encontros foram planejados considerando as demandas emergentes, as narrativas compartilhadas e os interesses expressos pelas participantes, o que permitiu que cada sessão fosse construída de forma dialógica, flexível e sensível às singularidades do grupo. Essa metodologia favoreceu a corresponsabilidade na condução das atividades, estimulando que as próprias idosas sugerissem temas, dinâmicas e modos de abordar questões relevantes do cotidiano, como etarismo, vínculos sociais, autoestima e bem-estar emocional. Ao adotar esse formato, o grupo fortaleceu o engajamento, ampliou o sentimento de pertencimento e consolidou um espaço de escuta onde as integrantes puderam exercer voz ativa, ressignificar experiências e participar da construção coletiva do cuidado psicológico. Durante as primeiras reuniões, observou-se uma certa resistência inicial à fala sobre o sofrimento. Muitas idosas apresentavam um discurso marcado por temas cotidianos ou pela negação das fragilidades, o que pode ser compreendido, segundo Freud (1914/2010), como manifestação do mecanismo de defesa da repressão, próprio do psiquismo humano diante da dor e da perda. Aos poucos, o clima de confiança e o vínculo construído no grupo possibilitaram o surgimento de narrativas mais profundas, permeadas por lembranças, lutos e afetos recalcados. As oficinas de memórias, principalmente, no jogo Bingo de Memórias da Vida, serviram como mediadoras do processo de elaboração subjetiva. Ao trabalhar com imagens, objetos e palavras, as participantes puderam associar livremente e atribuir novos significados às suas experiências. Conforme Winnicott (1975), a criatividade e o brincar permanecem ao longo da vida como vias fundamentais para o contato com o verdadeiro self, permitindo que o sujeito reorganize simbolicamente sua realidade. Um aspecto recorrente nos encontros foi a tematização da solidão e da perda dos vínculos afetivos. As falas sobre a ausência dos filhos, a viuvez e a sensação de invisibilidade social emergiram de forma espontânea, apontando para o que Birman (2009) denomina de “fragilidade do laço social contemporâneo”. Ao compartilhar essas vivências em grupo, as mulheres puderam reconhecer que seus sentimentos não eram isolados, mas compartilhados, transformando o sofrimento individual em experiência coletiva de reconhecimento e cuidado. A escuta psicanalítica, articulada às técnicas da arteterapia, como a conto terapia, a costura terapêutica e a pintura em tela mostrou-se, neste contexto, um dispositivo potente de simbolização e elaboração subjetiva. Tais recursos favoreceram a expressão não verbal de conteúdos emocionais, ampliando a possibilidade de ressignificação das vivências compartilhadas no grupo. O lugar de fala das idosas foi preservado sem direcionamentos normativos, assegurando autonomia discursiva e acolhimento qualificado, com intervenções interpretativas apenas quando clinicamente pertinentes, em consonância com uma postura ética e não intrusiva no processo terapêutico grupal. Essa postura analítica, de não julgamento e de abertura para o inconsciente, favoreceu o surgimento de novas formas de subjetivação. Zimerman (2007) ressalta que o envelhecimento exige a elaboração de lutos sucessivos do corpo, do tempo, dos papéis sociais, sendo fundamental que o idoso encontre um espaço onde possa ressignificar tais experiências de modo simbólico e partilhado. Sob a perspectiva da clínica ampliada, o trabalho realizado não se restringiu ao atendimento psicológico, mas configurou-se como uma prática de cuidado compartilhado e de promoção de saúde mental. Conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), a clínica ampliada propõe uma atuação interdisciplinar e humanizada, que reconhece o sujeito em sua integralidade. Assim, o projeto Delas promoveu não apenas o acolhimento individual, mas também a reconstrução do vínculo social, ao permitir que as idosas se percebessem pertencentes a um grupo que valoriza suas histórias e afetos. análise dos registros evidencia que, à medida que as participantes se sentiam escutadas e reconhecidas, surgiam movimentos de subjetivação e de resgate da autoestima. Expressões como “agora posso falar de mim” ou “nunca pensei que alguém fosse querer ouvir isso” demonstram que o espaço de fala se transformou em um lugar de elaboração simbólica e de produção de sentido. Nesses momentos, a escuta psicanalítica cumpriu sua função ética e transformadora, permitindo o trânsito da dor para a palavra e da palavra para o vínculo. Do ponto de vista formativo, a experiência revelou a importância do olhar clínico ampliado no contexto institucional, reafirmando que o trabalho do psicólogo ultrapassa os limites do consultório e se inscreve como prática social. A aplicação dos conceitos psicanalíticos em um centro de convivência mostrou-se potente para restituir o valor da escuta, do desejo e da subjetividade, princípios fundamentais tanto à Psicanálise quanto às políticas públicas de saúde mental. Em síntese, a análise dos resultados aponta que a escuta psicanalítica, articulada à clínica ampliada, possibilitou o acolhimento ético das experiências emocionais das mulheres idosas, promovendo o fortalecimento do laço social e a reconfiguração simbólica das narrativas de vida. O espaço grupal, sustentado pela palavra, revelou-se como lugar de encontro, reconhecimento e reconstrução subjetiva reafirmando que a clínica, quando ampliada, torna-se também um gesto de cuidado e de cidadani
3- CONCLUSÃO
O presente estudo, desenvolvido no âmbito do Estágio Específico III em clínica ampliada, permitiu compreender a potência da escuta psicanalítica como instrumento de cuidado e de transformação subjetiva no contexto instituciona. A experiência vivenciada no projeto Delas – Tarde de Encontro evidenciou que o centro de convivência para idosas pode se constituir como espaço clínico e social, no qual o sujeito é acolhido em sua singularidade e reconhecido em sua história. A clínica ampliada, ao articular dimensões individuais, grupais e comunitárias, mostrou-se um campo fecundo para a atuação do psicólogo, por possibilitar o encontro entre o saber técnico e o saber de vida das participantes. Essa articulação promoveu a ressignificação de experiências, o fortalecimento dos vínculos afetivos e o exercício da cidadania psíquica, reafirmando o compromisso ético do cuidado integral.A escuta psicanalítica, orientada pelos princípios de Freud, Winnicott e Zimerman, revelou-se fundamental para sustentar o espaço de fala, permitindo que o sofrimento encontrasse vias de simbolização. Através das atividades expressivas e das rodas de conversa, as idosas puderam revisitar suas histórias e elaborar conteúdos emocionais que, muitas vezes, permaneciam silenciados. Tal processo reafirma a importância de uma escuta que não apenas ouve, mas reconhece e legitima o sujeito em sua dimensão inconsciente. Do ponto de vista formativo, a experiência proporcionou o exercício ético e técnico da postura clínica, ampliando a compreensão sobre o papel do psicólogo em contextos não tradicionais de atendimento. O estágio contribuiu para consolidar uma visão de clínica que se estende para além das quatro paredes do consultório, alcançando o território social e comunitário, sem perder o rigor teórico e a responsabilidade ética que fundamentam a prática psicológica. Conclui-se que a clínica ampliada, quando sustentada pela escuta psicanalítica, promove não apenas alívio do sofrimento, mas também reconstrução de sentidos e laços. O projeto Delas reafirma a potência do encontro humano como espaço de subjetivação e cuidado, demonstrando que a prática clínica, em sua essência, é sempre um gesto de escuta, ética e compromisso com a vida.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Clínica Ampliada e Compartilhada. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: CFP, 2005.
DEBERT, Guita Grin. A antropologia e o estudo dos grupos e das categorias de idade. In: BARROS, Myriam Moraes Lins de; OLIVEIRA, Luiz Fernando Dias Duarte de (org.). Velhice ou terceira idade? 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. p. 49–68.
FREUD, S. (1912). Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2010. v. 12.
DEBERT, Guita Grin. A reinvenção da velhice. 2. ed. São Paulo: EdUSP, 2021.
FREUD, S. (1914). Recordar, repetir e elaborar. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2010. v. 12.
FREUD, S. (1996a). A dinâmica da transferência. J. Strachey (Ed). Obras completas de Sigmund Freud (Vol. 12). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1912).
SAFATLE, Vladimir. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1975.
ZIMERMAN, G. I. (2007). Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto Alegre: Artmed.
Agendamentos
institutocrisalidapsi@gmail.com
SCS Qd 02 Lote 104 Bloco C Sala 514/515, Edifício Goiás, CEP 70317-900.
Contato: 61 92005-1079
Segunda a Sexta, 8h às 20h
© 2026 Instituto Crisálida - Respeitando o tempo singular de cada metamorfose.
